
A centralização do tratamento de hemofilia [doença que facilita o sangramento em razão da falta de algum tipo de fator de coagulação no sangue] em Salvador, tem forçado o deslocamento de pacientes de diversas cidades do interior para a capital do estado. A situação, conforme observação feita pelo vereador Jorge Oliveira (PRD), durante discurso na sessão da Câmara desta quarta (23), obriga os baianos a realizarem viagens desgastantes para buscar o fator de coagulação longe dos locais onde residem.
“Isto é um absurdo. É não perceber a necessidade desta população”, reclamou, pedindo a atenção da gestão estadual para o problema. Segundo o parlamentar, este é um dos segmentos que mais precisam da sensibilidade das autoridades da área de saúde. Atualmente, os hemofílicos saem todos os meses de cidades como Barreiras e outras para fazer a reposição do fator em Salvador. Inclusive, nem em Feira de Santana é oferecida a possibilidade de realizar o procedimento, conforme destacou.
“Que eles sejam tratados nos municípios onde estão, independentemente se é Feira ou outro. Precisamos que cada ente público faça sua parte para a melhoria do tratamento”, cobrou Jorge Oliveira.
HEMOCENTROS
A distribuição dos medicamentos (Fator VIII e Fator IX, por exemplo), segundo comentou Professor Ivamberg (PT), é feita de forma concentrada na Bahia, através dos hemocentros. “Aqui, temos a Hemoba que está sendo ampliada para poder fazer estes atendimentos, porque depende de uma tecnologia específica”, disse. No entanto, na opinião dele, é necessário também verificar como está a relação dos municípios com o Estado, uma vez que eles têm a responsabilidade de requerer os hemoderivados para a cascata de coagulação acontecer. “É preciso saber se é o Estado que tem que levar aos municípios, porque isto vai influenciar na vida do paciente”, explicou.
Preocupada com a questão, a vereadora Lu de Ronny (PV) informou que manteve diálogo com o secretário Municipal de Saúde, Rodrigo Matos, sobre o assunto. Na conversa, o gestor teria garantido que a pasta está atenta à questão, mas enfrenta dificuldade em contratar hematologistas, devido à escassez de profissionais na área. No entanto, a Secretaria planeja inserir hematologistas em USFs e policlínicas, em referência ao cuidado com a atenção básica da saúde.
Foto: Davidson Damasceno/Ag Brasil
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