Cidadania feirense de quatro profissionais é celebrada em sessão regada a música e poesia
3 de junho de 2025

Entre poemas, canções e testemunhos de compromisso com a educação, a cultura e a arte, quatro figuras memoráveis foram contempladas com a cidadania feirense pela Câmara Municipal, na noite desta segunda-feira (2). Aconteceu uma sessão solene em que os hinos Nacional e de Feira de Santana ganharam o toque especial de uma Camerata, com o acompanhamento vocal de Denise Ferson, tudo impregnado de emoção porque, como sugere o poeta Ferreira Gullar, “a arte existe porque a vida não basta”. As homenagens foram de iniciativa do vereador Professor Ivamberg (PT).

Histórias de superação, amor e compromisso social de pessoas que fizeram de Feira de Santana sua morada, comprometidas com o propósito de transformação social, conforme destacou o vereador, ao justificar as homenagens, foram relatadas durante a sessão. “Celebramos hoje trajetórias de vidas que se entrelaçam de forma efetiva com a história de Feira de Santana”, destacou Professor Ivamberg, ao apresentar o currículo de cada um dos novos cidadãos feirenses, que vieram dos mais diferentes lugares da Bahia, do Brasil e do mundo. “Feira é vocacionada para receber e acolher talentos”, disse.
“Nascida em Natal, potiguar de origem, soteropolitana por adoção e feirense de coração, uma mulher cuja vida é um poema de resistência, e sua atuação vai além dos muros da escola”. Assim ele definiu Claudia Gomes, professora, escritora, poeta, Mestra em Letras e Doutora em Educação, que conquistou não só a cidadania, como também a Comenda Maria Quitéria. Sobre o também professor Eduardo Brito Correia, nascido em Salvador, Ivamberg destacou a referência em educação e transformação social, citando o Núcleo Neojibá como um de seus grandes projetos. Matemático por formação, Eduardo também é diretor do Colégio Estadual Governador Luiz Viana Filho. “Ele acredita que educação, cultura, esporte e solidariedade caminham juntos na construção de uma sociedade melhor”, afirmou o vereador.
Das artes para a Matemática. Filho de lavradores, José Fábio de Araújo Lima, outro homenageado na noite de ontem, saiu do roçado em Tanquinho, onde nasceu, para se tornar professor premiado e reconhecido no Brasil e no mundo. Seu trabalho o levou até Xangai, na China. “Mais do que números e equações, ele ensina esperança”, ressaltou Ivamberg. Fabio também foi contemplado com a cidadania feirense.
O filho de Conceição da Feira, mas feirense de coração desde a década de 1950, ele tem uma história vinculada aos movimentos estudantil, sindical e político da cidade: Osmar Pereira Ferreira. Fundador de associações e grêmios estudantis, bem como do Sindicato dos Bancários, carrega as marcas da resistência na luta pelos direitos da classe trabalhadora. “Foi perseguido, preso e demitido pela ditadura militar, pagando o preço por ousar sonhar com um país mais justo e democrático”, disse Professor Ivamberg.
Um grande sucesso de Tom Jobim (Weve) foi apresentado em uma segunda participação da Camerata de Feira de Santana, seguida pela declamação de um poema para Claudia Gomes pela escritora e contadora de história, Geovânia de Jesus, sobre Feira de Santana – origens, boiadas e figuras populares como Noratinho da Pamonha. Já a contadora de história, Daniela Landin Baff, declamou um poema para Eduardo Brito, pedindo licença para “mover palavras, pontes invisíveis que nos conectam ao essencial”, fazendo referência à atuação do professor.
“Quero um Brasil sem preconceito, por inteiro, harmonioso e feliz”, declamou a poeta Luma Eduarda Cerqueira Dias (para Claudia Gomes), enquanto a Banda Forfun, com os artistas João Pedro Silva, Gildo Sandro e Marcos Rocha se apresentaram no plenário. O ex-aluno Ícaro Brito Sena, um menino que falou como gente grande, fez um discurso em homenagem ao professor Eduardo Brito, que definiu como “um homem sempre disposto a apoiar e incentivar projetos que beneficiam o colégio e a comunidade, gestor e líder que sempre vê uma luz no fim do túnel, humano como nós”. E, para arrematar a noite, a Banda Marcial do Colégio Luiz Viana Filho fez uma apresentação na área externa da Casa da Cidadania.
TESTEMUNHOS DE VIDA E HISTÓRIAS DE AMOR POR FEIRA DE SANTANA
“Eu sou o que sou por aquilo que os outros colocam em mim”. Com esta afirmação, o professor Eduardo Brito Correia agradeceu e dividiu com familiares, colegas e amigos a homenagem recebida. Ao lado do Frei Cristóvão, na tribuna, ele atribuiu à poesia o fato de estar sadio, e afirmou ser o fruto do que a sua mãe é. Citou os filhos João Pedro e Antonio Eduardo, a filha Maria Teresa, e a mulher Virgínia, pelas vivências, e falou da própria trajetória, destacando a experiência com o Instituto Antônio Gasparini, “pela proposta de transformar vidas”, o Neojibá e Camerata.

Agradecimento e emoção marcaram o pronunciamento de Osmar Pereira Ferreira, por estar “nascendo de direito” na cidade em que vive desde a década de 1950, quando veio para estudar no Colégio Estadual, onde hoje funciona o CUCA. A greve dos estudantes em apoio à paralisação dos caminhoneiros foi uma das primeiras participações no movimento político. Ele se emocionou ao falar da prisão pela ditadura militar, dentro do Banco da Bahia. “Saí algemado”, contou, lembrando a morte do amigo Otoniel Queiroz, aos 21 anos.

“Tínhamos tudo para dar errado”. Essa era a realidade de José Fábio de Araújo Lima, na pequena cidade de Tanquinho, que fez da superação a bússola de sua vida. Durante dois anos, ia para escola em um pau de arara. “Era a única forma de estudar, nossa única chance de mudar a realidade e buscar sonhos”, contou. Apaixonado por Matemática, no primeiro vestibular (na UEFS) foi eliminado em Redação. Ainda na ativa, como professor, se tornou destaque nas Olimpíadas de Matemática e tem, no currículo, além de prêmios, o desafio da pandemia de Covid-19”, disse.

Guiada pela Literatura. Foi assim que a professora de Língua Portuguesa, escritora e poeta potiguar construiu a sua vida em Feira de Santana. “Subo a esta tribuna para receber duas honrarias que carregam história e afeto”, afirmou, contando que fincou raízes em terras feirenses, porque encontrou “solo fértil para a poesia e força para mover sonhos”. Em seu discurso de agradecimento, ela citou os professores Josué Mello e Lélia Fernandes, e se comprometeu: “Mais do que um prêmio,; é um chamado para continuar semeando humanidade”. Citando Maria Quitéria, “símbolo da defesa da liberdade”, dedicou a homenagem a todas as mulheres, principalmente educadoras que ensinam com a alma. A sessão contou com a presença do vereador Silvio Dias (PT).