
A disponibilização do princípio ativo de uso injetável tirzepatida, popularmente conhecido como Mounjaro, pelo Sistema Único de Saúde (SUS), pode resultar em um impacto positivo tanto para as redes municipal e estadual, quanto para a economia de municípios como Feira de Santana. A afirmação é do médico William Campinho, do Hospital Geral Clériston Andrade (HGCA), que fez pronunciamento na Tribuna Livre da Câmara nesta quinta-feira (21), manifestando apoio ao Projeto de Lei nº 1/2026 (autoria de Marcos Lima/União), aprovado pelo Legislativo. A iniciativa autorizou o Município a instituir diretrizes para a disponibilização e aplicação do medicamento nas unidades de saúde como estratégia complementar no tratamento da obesidade.
“Seria viável, portanto, para o Município investir e depois colher os bons resultados”, avaliou o profissional da medicina. Atuante há mais de 16 anos na área de cirurgia geral e obesidade, o especialista explicou que a medida tem uma alta viabilidade e exercerá impacto econômico importante para Feira, se for utilizada de maneira estruturada. Muitos perguntam, segundo ele, quanto custa tratar a obesidade. Mas, o correto seria questionar sobre o quanto custa não tratar. É preciso se perguntar quanto custam os pacientes em depressão, AVC e outras doenças prevalentes nas pessoas acometidas”, sinalizou.
De acordo com William Campinho, com o uso da tirzepatida é possível reduzir tempo e entregar mais eficácia. “E, acima de tudo, economia”, disse, referindo-se à redução de despesas com outros tratamentos na área de saúde e no orçamento das próprias famílias. Ele lembrou que em 2003, no âmbito do SUS, só restava para o paciente com obesidade, a opção de fazer cirurgia bariátrica, se atingisse o grau da obesidade mórbida. E ele próprio disse que não pode operar muitos dos pacientes que atendeu, em razão de não terem atingido tal nível de gravidade. E estes, precisaram retornar aproximadamente um ano depois pesando entre 40 a 60 quilos a mais em busca de tratamento.
“Hoje temos este arsenal poderosíssimo, a tirzepatida, que faz o paciente em uso entregar resultados equiparáveis à cirurgia bariátrica”, observou. O cirurgião alertou que não defende a banalização do uso da substância medicamentosa, mas um tratamento todo estruturado. “Enquanto os estudos demonstram que o tratamento isolado leva em torno de 72 semanas (um ano e meio), com o tratamento estruturado reduzimos isso para cerca de seis meses”, garantiu. Por isto, assinalou William Campinho, a grande importância do projeto aprovado pela Câmara de Feira é que não trata de vaidade, mas foca verdadeiramente na saúde pública com pretensão de mudar o rumo do Município no assunto.
Quando se fala de obesidade, completou ele, se trata de uma doença crônica e progressiva, que quando tratada adequadamente se conseguir prevenir agravos aos quais a o sobrepeso está interligado. “Não se cuida apenas do peso do indivíduo, mas também dos principais problemas que favorecem a incidência de diabetes, apneia, infarto, AVC, gordura no fígado, depressão e mortes prematuras. E, principalmente, as doenças cardiovasculares, que têm mais de 30% de impacto direto nas comorbidades que mais matam no mundo”, ressaltou. Dos pacientes com diabetes e hipertensão, por exemplo, que fazem o tratamento com tirzepatida, boa parte consegue ter alta médica para todos estes tratamentos.
Por fim, o especialista alertou que dados de 2025 revelam que cerca de 60% da população brasileira já estão com sobrepeso ou obesidade. Independentemente de qualquer resolução final sobre o projeto, a proposta já ajudou a trazer para o debate legislativo um tema de grande relevância na área de saúde, disse o médico. “Feira não foge dessa regra. A gente torce para que nosso país não lidere uma corrida da qual ninguém se orgulha. E o mínimo que temos a fazer é apoiar este debate”, frisou William Campinho, destacando que os pacientes com obesidade precisam de acolhimento, estratégia e tratamentos eficazes na rede pública de saúde.
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